06 novembro, 2011

Educação atemporal

Aproveitando o clima Feira do Livro, eu e algumas amigas fomos assistir um bate-papo sobre moda e literatura na tarde de ontem. Na mesa de debatedoras tinha 4 mulheres, cada uma especializada em algo, mas todas apaixonadas por moda. Entre elas, umas era psicóloga. Quando chegou a vez dela confesso que me perdi. Não entendi o que ela falava e viajei muito. Algo, porém, acordou-me. Uma velha sentada a minha esquerda começou a falar e falar e falar, como se ela fosse a única na sala, ignorando totalmente que havia a psicóloga discursando.

Aquilo me irritou, mas como eu nem estava prestando atenção, ignorei até a velha. O que veio em seguida me surpreendeu. A mulher sentada na minha frente virou e fez o clássico pedido de silêncio.

- SSHHHHHHHHH! - ela falou com o dedo na boca.
- Ahhhh, mas isso aqui tá muito chato! - replicou a senhora.

Choque total. Nunca esperava ver uma vovó faltar tanto com respeito. A mulher que pediu o silêncio se levantou e, com classe, encerrou o assunto.

- Mas tu tens que respeitar quem está ali falando e quem está ouvindo.

Quase aplaudi. Nunca tinha visto coisa igual. De imediato lembrei de colegas minhas na universidade que agem da exata maneira. Conversam a aula inteira, não têm respeito nenhum pelo professor que está falando. Nesse momento, descobri que aquilo não era uma característica de adolescente idiota e fútil, mas sim de uma pessoa que simplesmente não recebeu educação em casa. E o pior, essas pessoas não mudam. Elas têm cabelos brancos e ainda agem como se o mundo girasse em torno do próprio umbigo.

Eu nem sei o que concluir sobre isso. Fico triste em ver que certas coisas sempre vão existir, que as pessoas não vão ser diferentes na velhice. Elas vão conservar tudo, menos o físico (na melhor das hipóteses).

Agora imagina, essa velha foi a primeira que EU vi. Certamente existem muitas outras. Só que penso que no futuro esse tipo de velha vai ser o triplo de hoje, baseado na educação que a gente vê a cada dia piorar. Vejam o que acontece nessa tirinha:

Parece absurdo, mas eu vi isso tantas e tantas vezes. Pais escravos dos filhos, incapazes de dizer um "não", de dar EDUCAÇÃO.

A gente não sabe o que o futuro nos reserva, mas espero que se eu tiver filhos, eu saiba educar como fui educada. Que eu escute o que eles terão a dizer, mas que eu veja o outro lado também e me posicione do lado certo. Ser pai não é dar o mundo para o filho; é ensinar ele a conquistar o mundo com ética, dignidade e respeito.

4 comentários:

Diario de uma garota disse...

visitei
retribui e segue?
diariogarotaloucalouca.blogspot.com/

Moshe Ham disse...

Querida Natália, lhe parabenizo pelo texto e pela percepção, infelizmente esta é nossa realidade e a tirinha é a pura realidade,sou professor e já vi isto muitas vezes, parabéns!!

Natália Scholz disse...

Obrigada pelo comentário!
Eu fico indignada com essas coisas. É muito frustrante!

Débora Sader disse...

PARABÉNS PELO BLOG! TENHO UM DE POESIAS :) SE QUISER CONHECER, SERÁ MUITO BEM-VINDO(A)! www.deborasader.blogspot.com